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Opinião: o que quer Bolsonaro no 7 de setembro?

Confira o texto do cientista político Cláudio André, que trata sobre as possíveis manifestações no Dia da Independência do Brasil.



O feriado de 7 de setembro do presidente Jair Bolsonaro promete ser mais um capítulo de afronta às instituições políticas brasileiras, algo que o presidente tem feito diretamente da sua cadeira no Palácio do Planalto.

Dia sim outro também, o nosso chefe de governo promove confrontos políticos de raiz autoritária, expondo uma concepção centralizadora de poder, presente, por exemplo, quando tem rompantes ao achar que as forças militares são um poder. Bolsonaro confunde (intencionalmente) Forças Armadas com Poder Judiciário. Joga para torcida como uma coisa só ordem legal sob responsabilidade dos militares com o julgamento das Leis por parte do Judiciário.


Qual a estratégia de Bolsonaro? Ele precisa, nesse momento de isolamento social e político, parecer forte, viável e “vítima do sistema”, como se houvesse algum complô para dar fim ao seu governo. Os protestos a seu favor e contra instituições como o Supremo Tribunal Federal (STF) investe para dar fôlego á sua reeleição. Diversas pesquisas de opinião apontam a queda de popularidade e a perda de intenção de votos em Bolsonaro na corrida eleitoral de 2022.


A convocação dos atos bolsonaristas para o Dia da Independência que circulam nas redes sociais descambaram para narrativas que no fundo são antidemocráticas, mas precisaram de um verniz legal em razão das investigações do STF. O próprio presidente foi a um culto evangélico em Goiânia no último sábado (28) e disse que “temos um presidente que não deseja nem provoca rupturas, mas tudo tem um limite em nossa vida. Não podemos continuar convivendo com isso".


O que quer Bolsonaro? Acenar para sua base que ele tem poder para impor limites. E que depende dos apoiadores e das mobilizações para este feito. Trocando miúdos, já começou a campanha pela sua reeleição enquanto vivemos o avanço de uma crise ao mesmo tempo social (pandemia), política (relação de Bolsonaro com os poderes) e econômica (inflação, rombo fiscal e desemprego). Em quase três anos de governo, Bolsonaro parece aquele jogador de futebol que fala muito e trabalha pouco.


Cláudio André de Souza - Cientista Político, professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) e um dos organizadores do "Dicionário das Eleições" (Juruá, 2020)


Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

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