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Opinião: o retrato do negacionismo no Ministério da Educação

Falas do Ministro da Educação geraram desconforto e insatisfação



Em uma tranquila noite de domingo, assistia a um programa de TV que trazia em dado momento, uma reportagem do ocorrido durante a semana, da bombástica e fatídica fala do Sr. Milton Ribeiro, atual ministro da educação, do governo de Jair Bolsonaro, em que exibindo total despreparo ou no mínimo desconhecimento do assunto, diz “...que as crianças com deficiência atrapalhavam os demais alunos sem a mesma condição, quando colocados na mesma sala de aula”, e ainda citou que, “...12% do total de 1,3 milhões de alunos com deficiência que estuda em escolas públicas, no Brasil, possuem grau de deficiência de impossível convivência”.


"Nós temos, hoje, 1,3 milhão de crianças com deficiência que estudam nas escolas públicas. Desse total, 12% têm um grau de deficiência que é impossível a convivência."


Obviamente que essas falas repercutiram e ainda repercutem muito no cenário educacional, social e político brasileiro e não seria para menos, ou será que sim?


Vejamos:

Em pleno século XXI, após tantas lutas e vitórias, estudiosos, leis, tratados, diretrizes, portarias, órgãos, organização da sociedade civil, enfim, uma enxurrada de ações, determinações, declarações e confirmações da necessidade de garantir a educação para todos, como direito, abarcando assim as crianças e jovens portadores de necessidades especiais sobre a luz de uma educação especial na modalidade da educação inclusiva que tem entre seus princípios que toda pessoa aprende; que o convívio no ambiente escolar comum beneficia a todos e que a educação inclusiva diz respeito a todos, dentro de um olhar humanista e de completude da formação de uma sociedade solidária, tolerante, empática e que respeita a diversidade, não caberia mais, sobretudo ao chefe de tão importante pasta ministerial desconhecer do assunto ou mesmo demonstrar no mínimo despreparo ou como é característica marcante desse atual governo negar a educação necessária, através da visão perversa de que 12% (se assim o são) de não, preponderam sobre 88% de sim.


E que advogue pelo retrocesso e não pela excelência e investimentos que garantam as instituições escolares, aos profissionais, aos estudantes e aos familiares uma educação inclusiva de fato e de qualidade.


Importante dizer que enquanto profissional da Educação das redes pública e privada, durante 27 anos de carreira na docência da disciplina Educação Física, tive sim muitos desafios e com certeza, muitas dúvidas do que e como fazer com as mais diferentes pessoas e contextos que nas minhas turmas se apresentavam, garantidas agora pela educação inclusiva, principalmente quando a formação acadêmica vivida há muitos anos passados não respaldava com segurança as intervenções.


Recorrer aos estudos específicos, como também buscar suportes em outros profissionais e familiares que interagiam com esses educandos foi fundamental e enriquecedor, sobretudo quando a turma agora era completa, de diversidades, era real e todos, literalmente todos aprendiam com todos.


E por isso mesmo, na minha opinião Sr. Milton Ribeiro, ministro da educação, sua fala é no mínimo lamentável!


Elane Souza é professora aposentada em licenciatura plena da Educação Física, UCSAL/BA.

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